Quero dizer antes que eu me cansei. De mim mesmo. De você mesmo. Desse encontro que parecia tão Romeu e Julieta, mas que se mostra um pastelão sem fins lucrativos e sem público. Eu cansei dos textos, das canções, cansei de procurar significados no eco de um cenário vazio e sem cor. Cansei de metáforas. Cansei de segundas, terceiras e quartas intenções. Não quero mais um olhar que me sugere mil possibilidades e não especifica nenhuma delas. Dispenso até o abraço quente, embora eu saiba que vou sentir falta e vou me contrariar, correndo para te abraçar. Quero dizer que eu gostaria de ter encontrado você em outras circunstâncias. E que também não ouso dizer que circunstâncias seriam essas. Seria como alimentar um leão magro. E precisaria de mais coragem. Precisaria é de álcool, de repente nem tanta coragem. Mas hoje é domingo e não bebi nada. Não sei se essa é uma maneira clara de te dizer o que sinto. Acredito que não porque ainda não sei o que te dizer, não encontrei ainda o jeito de organizar a bagunça dos armários. Ele é mais confuso do que tudo o que já arrisquei porque entra em contato direto com o subjetivo. Tudo o que não foi dito, apenas sugerido. Os olhares silenciosos acompanhados de um pensamento que não virou verbo e som. Tudo o que é de fato importante: o silêncio. Que aqui ganha significados não muito agradáveis ou definitivos. Ou descartáveis, vai saber?
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